Você sabia?
César Lattes descobriu, junto com outros
pesquisadores, a partícula atômica méson pi. Estudou física e matemática
na Universidade de São Paulo. Com 19 anos era assistente da cadeira de
Física Teórica. Trabalhou no
laboratório montado nos Andes, na Bolívia, na Inglaterra e no
Laboratório da Universidade de Bristol. César Lattes (1924-2005) nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 11 de julho.
Era filho de imigrantes italianos. Iniciou seus estudos em Curitiba.
Mudou-se para São Paulo e ingressou no Colégio Dante Alighiere e depois
na Escola Politécnica. Estudou na Universidade de São Paulo, onde cursou
física e Matemática. Concluiu o curso no ano de 1943.
Entrevista com César Lattes datada de 1996 :
O senhor quase ganhou por duas vezes o Prêmio Nobel, não é mesmo?
César Lattes - O
inglês Cecil Frank Powell ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1950. Ele
levou o prêmio pelo método de revelação fotográfica da partícula do
meson pi. Era mais o velho de nós e era também inglês. Havia também o
italiano Guiseppe Occhialini. Eu tinha 23 anos quando participei da
descoberta, em 1947. Era muito novo. Ele era o professor residente em
Bristol e nós pesquisadores associados. O prêmio acabou ficando para
ele…
Em 1950, o senhor tinha 26 anos, um ano a mais que Einstein quando ele recebeu o Nobel…
César Lattes – Já
imaginou que problema eu teria? Iria passar o resto da vida fazendo
cartinhas de recomendação como o Einstein. Graças a ele, muitos maus
cientistas conseguiram bons cargos em universidades.
E a segunda vez?
César Lattes – A
segunda vez está relacionada à produção artificial de mésons. Isso foi
no ano seguinte à descoberta do méson pi, em 1948. Essa pesquisa eu
desenvolvi com o físico norte-americano Eugene Gardner. Na época, a
comissão do Prêmio Nobel se interessou, e chegou a enviar uma carta para
mim por meio da Universidade do Brasil, atual Universidade do Rio de
Janeiro. Só que a burocracia interna fez com que a carta só fosse
entregue a mim um ano depois. Neste período, meu parceiro de pesquisa
morreu. E como não se dá prêmio póstumo, perdi a oportunidade.
Professor Lattes, o físico inglês
Stephen Hawking afirmou, em seu livro “Uma breve história do tempo” que
os físicos têm gasto tempo demais na pesquisa da física de partículas. O
senhor concorda com isso?
César Lattes – Aquele livro é uma droga, uma porcaria. Ele não tem representatividade nenhuma na física. Sua fama é fruto só da imprensa.
Ele é um mau caráter. O resumo da biografia do Newton que ele fez
mostrou que ele morre de inveja do Newton. Hawking chamou o maior físico
de todos os tempos de mau caráter, que gostava de dinheiro… é um pobre coitado.
Mas ele é um físico muito conceituado…
César Lattes – Ele pode ser conceituado na imprensa, mas não é conceituado no meio científico.
O senhor é tido como um crítico de Einstein, não é mesmo?
César Lattes – Einstein é uma fraude, uma besta! Ele não sabia a diferença entre uma grandeza física e uma medida de grandeza, uma falha elementar.
E onde exatamente ele cometeu a falha a qual o senhor está falando?
César Lattes – Quando ele plagiou a Teoria da Relatividade do físico e matemático francês Henri Poincaré,
em 1905. A Teoria da Relatividade não é invenção dele. Já existe há
séculos. Vem da Renascença, de Leonardo Da Vinci, Galileu e Giordano
Bruno. Ele não inventou a relatividade. Quem realizou os cálculos
corretos para a relatividade foi Poincaré. A fama de Einstein é mais
fruto do lobby dele na física do que de seus méritos como cientista. Ele
plagiou a Teoria da Relatividade. Se você pegar o livro de história da
física de Whittaker, você verá que a Teoria da Relatividade é atribuída a
Henri Poincaré e Hawdrik Lawrence. Na primeira edição da Teoria da
Relatividade de Einstein, que ele chamou de Teoria da Relatividade
Restrita, Ele confundiu medida com grandeza. Na segunda edição, a Teoria
da Relatividade Geral, ele confundiu o número com a medida. Uma grande
bobagem. Einstein sempre foi uma pessoa dúbia. Ele foi o pacifista que
influenciou Roosevelt a fazer a bomba atômica. Além disso, ele não gostava de tomar banho…
Então o senhor considera a Teoria da Relatividade errada? Aquela famosa equação “E=MC²” está errada?
César Lattes – A equação está certa. É do Henri Poincaré. Já a teoria da relatividade do Einstein está errada. E há vários indícios que comprovam esse ponto de vista
Mas, professor, periodicamente lemos que mais uma teoria de Einstein foi comprovada…
César Lattes – É coisa da galera dele, do lobby dele, que alimenta essa lenda. Ele não era tudo isso. Tem muita gente ganhando a vida ensinando as teorias do Einstein.
Mas, e o Prêmio Nobel que ele ganhou por sua pesquisa sobre o efeito fotoelétrico em 1921?
César Lattes – Foi
uma teoria furada. A luz é principalmente onda. Ele disse que a luz
viajava como partícula. Está errado, é somente na hora da emissão da luz
que ela se apresenta como partícula. E essa constatação já tinha sido
feita por Max Planck.
O senhor chegou a conhecer os grandes físicos naquela época em que esteve na Europa e nos Estados Unidos?
César Lattes – Conheci os irmãos Oppenheiner, o Robert e o Frank, que foram bons amigos meus. O Robert era mais um filósofo.
Mas foi ele que comandou o projeto da bomba atômica.
César Lattes – Sim.
Ele coordenou a parte de Los Alamos, que produziu as primeiras bombas.
Mas o Robert não era a favor da bomba. Ele se recusou a fazer a bomba de
hidrogênio e foi colocado de lado por isso. Frank não era tão filósofo
assim. Ele era mais pragmático. Ambos terminaram marginalizados por
causa do macartismo, que perseguia esquerdistas nos EUA nos anos 50. Já o
Enrico Fermi eu conheci superficialmente.
Por que o senhor não se transferiu para o exterior?
César Lattes – Não sou mercenário. Não me vendo, ainda mais para fazer guerra.
Estive vendo que o senhor tem três quadros de Portinari, um até com dedicatória…
César Lattes -
Comprei uma gravura em aguaforte, que é um trabalho em série, em uma
exposição. Quando ele ficou sabendo, veio correndo e me entregou uma
segunda aguaforte com uma dedicatória (“Para o Lattes, glória do Brasil,
e para Martha, com a auspiciosa admiração de Portinari”). O terceiro
quadro, ele me deu tempos depois. Foi feito a lápis e reproduz uma cena
da minha infância, que ele produziu de forma impressionante. Parecia até
que ele tinha estado lá.
O senhor considera satisfatório o nível da física praticada hoje em dia no Brasil?
César Lattes – Não.
Por que?
César Lattes – Acho
que hoje há muita química e pouca física nos centros de pesquisa do
País. Atualmente, a moda na ciência é a física analisar as propriedades
dos materiais. O que, para mim, está mais para a química do que para a
nossa disciplina. Além disso, esse tipo de saber tem pouca aplicação no
Brasil. Para quê indústria está se fazendo essa pesquisa? Para as
indústrias dos países ricos.
Para onde então deveria se dirigir os esforços de pesquisa?
César Lattes - Para as fontes de energia alternativas e baratas. Haveria muito mais potencial de aplicação aqui desse tipo de conhecimento.
Qual sua avaliação da qualidade atual de nossas universidades?
César Lattes – Bem,
a USP hoje em dia para mim está fossilizada. Deitou na fama e
acomodou-se. Não há criatividade lá, como houve no passado. O caso da
Unicamp não é muito diferente. Hoje em dia, valorizam-se mais os títulos
e cargos do que a pesquisa pura nas universidades. Há papéis e
computadores demais e reflexão e criatividade de menos. Outro problema,
principalmente no caso da Unicamp, que conheço mais, é o inchaço do
corpo burocrático, que consome a maior parte das verbas destinadas à
universidade.
Qual problema o senhor vê com os computadores?
César Lattes – O
computador trouxe uma certa preguiça intelectual para alguns cientistas.
Pensa-se menos hoje em dia. Eu chegaria a dizer que alguns cientistas
nem sequer pensam. Ficam dependentes do computador e deixam de lado a
criatividade.
E como o senhor vê atualmente o papel do governo na educação?
César Lattes –
Equivocado demais nas universidades federais, que estão com suas
burocracias inchadas e nada preocupadas com a pesquisa primária, que é
muito importante e fundamental.
Há muito tempo, a física descarta
a hipótese da existência de Deus. Atualmente, como está a relação entre
a religião e a ciência?
César Lattes – Acho
que você está enganado. O maior de todos os físicos, Isaac Newton,
pesquisou a Matemática e a ótica, mas também a alquimia e dedicou-se à
pesquisa do Apocalipse de São João. O matemático que estabeleceu as
bases da mecânica quântica acreditava em Deus.
Estive notando, o senhor fuma muito, e ainda por cima cigarro sem filtro…
César Lattes - Nem
tanto assim. Fumo os sem filtro porque os de filtro fazem mal à saúde e,
com os sem filtro, termino fumando só a metade do cigarro. Eu acabo por
fumar um maço e pouco, no máximo dois. Além disso, o fumo e o café são
estimulantes intelectuais.
Mas o fumo não faz mal à saúde?
César Lattes – Há muita estatística. Eu costumo dizer que, quando há muita estatística, é porque Deus ainda não se decidiu.
Estava notando a sua coleção de discos. O senhor não tem cd?
César Lattes – A
gravação em cd é uma porcaria. Não registra direito graves e agudos.
Então, procuro em sebos e compro um monte de discos de vinil de Vivaldi e
Beethoven por R$ 1 e R$ 2.
Para Lattes, “o estudo só é válido se houver
observação. Só teoria é conversa”. Ele diz , por exemplo, que a teoria
do Big Bang fala de uma explosão criadora há 18 bilhões de anos, mas o
sol tem “apenas” 5 bilhões de anos. Então de onde teria surgido a
matéria? “Deus criou. Eu não brigo com os astrônomos por isso porque eu
não os levo a sério”, disse o físico. Para ele, a explicação para o
surgimento do universo está no primeiro livro da Bíblia.
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Lattes
acreditava que a esposa do Einstein, Mileva Maric, era quem fazia os
cálculos matemáticos. Interessante é que após a separação dos dois,
Einstein não produziu mais nada.
Ainda há
a dúvida para muitos se Einstein era um pacifista ou não, de fato. Para
Lattes, Einstein recusou o convite do presidente Rossevelt para
trabalhar no Projeto Manhattan, não por ser pacifista, mas sim, por não
possuir nenhuma capacidade.
Einstein
trabalhava em patentes. Sabia os que os contemporâneos pensavam. Para
Lattes, ele só fez juntar essas peças e colocar de modo compacto idéias
já desenvolvidas anteriormente, em partes soltas, por Poincaré, Lorentz,
e um físico italiano chamado Olinto de Pretto.
A imprensa quando quer, consegue. Albert Einstein e Stephen Hawking viraram gênios, e César Lattes, um louco.